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terça-feira, setembro 04, 2012

menos 20



Quase chegando meu fim de ano. 31 de outubro. Samhain.

E então a gente se põe a pensar na vida, em como era e como é, você mesma e as coisas.

Vinte anos atrás eu era toda a ferro e a fogo, nervosinha, dona da verdade, do cadafalso, cortando cabecinhas de quem não era como eu achava devia ser. 
Eu era toda 8 ou 80.

E sinceramente, como eu vivia bem agindo assim? Acho que nem quero saber.

Hoje aos 42, sou mais esta foto:





Não há temores sobre o que se pensa sobre mim, e quiçá por isso mesmo, meu bem fazer é mais autêntico do que qualquer coisa, ou ato ensaiado que poderia advir dum tentar agradar a gregos e troianos.

Este meio de ano civil foi um marcador de águas. E sou bem grata por isso. 

As rugas vieram, fios cinzas surgindo quando as tintas rubras esmaecem, o corpo é outro, diferente daquele dos 22 anos, mas eu não pagaria um centavo para ser a Luciana desses 22.

Não há mais a premência do gênero o que você vai ser, em que área irá trabalhar, vai dar certo e com ele vou casar? 
Nada disso, há o amor por ele, o me saber pronta, realizada como tradutora, como mãe e fêmea. 

Há o tempo distendido jogando conversa fora a qualquer hora na casa do seu melhor amigo, um jantar de última hora com seus dois pares, com ele, com amigas...

Espero poder celebrar muitas vitórias e sucessos no novo ano pagão/religioso que para mim se aproxima.

Luciana Onofre

segunda-feira, setembro 03, 2012

criando mundos







estou finalmente criando em tempo real, palpável, vivível meu mundo ideal.

nele aceitei algumas pessoas, perdoei minhas críticas para comigo mesma e para com elas, me aproximei de algumas que outrora eu tive como foco dessas críticas, pois não há nada mais terrivelmente comprovado do que a fala aonde se diz que criticamos num ato de transferência de nossos próprios equívocos, na maioria das vezes...

mês passado uma amiga me disse algo mais ou menos assim: 'aquilo de bom que você deseja a alguém mesmo não sendo retribuído por esse alguém, o será por outra pessoa'.
e será sim, por qualquer um com o qual eu troque algo no caminho, ou por alguém que vibre comigo na mesma sintonia.


me dei conta que não é questão de amolecimentos, é questão de vida, de ir em frente, de aceitar que temos cada um, um momento e que mesmo que causando tristezas os momentos nem sempre estão correndo lado a lado, afinal idades e vivências são as que pautam esses momentos. e aceitei isso.

a intensidade do sentimento foi sendo moldada no sentido de que me pego menos externalizada, mas é coisa natural que se dê assim, afinal água mole em pedra dura tanto bate até que fura, trocando em miúdos: você muda a rota de sua emotividade após 'n' vezes a porta ter batido na sua face. sem dramas é normal que se mutem os estados. dum aquoso passou ao estado semi sólido afável...

finalmente meu mundo ideal é possível. e sem mergulhos em alfinetes e alfinetadas a vida eu te confidencio é leve, mais leve do que se possa supor.

a receita, pelo menos para mim foi simples: calar, deixar a cena em alguns casos [afinal eu preciso deixar que se respire e me vi sendo causticantemente ferina, então deixar a cena foi  mesmo um ato de preservar ao outro do que o de lhe virar as costas], relembrar as razões para que algumas pessoas me maravilhassem, engolir dores e seguir em frente.

o recrudescimento é isso ficar mais cética quanto ao outro...

o que faz com que vez por outra às vezes, só às vezes eu me faça de tonta, tola, apenas para "mejor pasar", mas é apenas um fazer de conta... com tudo não se deixa de registrar o visto, ou escutado. o contrapeso é não levar para nossa cama a dúvida, e sim apenas ter seu registro e passar a ter menos apego, só assim você é mais por você.

você deve saber o que pode ser relevado, o que não e o que simplesmente é apenas figuração.


Luciana Onofre


domingo, setembro 02, 2012

Foices





Há coisas que você aprende em meio a pedaços ou destroços de si mesmo.
Como valorizar um dia, qualquer dia, apenas por estar de olhos abertos sabendo quem você é.

Coisas como repensar seus valores e os valorizados.

Restar peso a pequenas rixas que você mesmo alimentou, ou que seu silêncio ofereceu via expressa, caminho aberto.

Coisas como aceitar as pequenas mortes que todos os dias se dão no caminho, o dia que nunca mais será dia, a idade que deixou de ser uma outra, a imagem que não é a mais a mesma, as pessoas que entram e saem da sua vida.


Coisas como aceitar que aquela segurança que você tanto amarrou em si como sustento ou eixo, deixou de ser e lhe ensinou na marra a viver e estar bem mesmo que não tenha a mínima ideia de como será o amanhã, de onde virão certezas, quem estará ao seu lado ou não.


Essas coisas todas incertas para um taurino são complicadas, pela gana que temos em TER certezas, em saber cada coisa em seu lugar...


É um aprendizado de imersão na realidade nua e crua à força.
Ainda mais quando você após anos de sobe e desce, viveu mais de uma década de calmarias...

 
2012 não foi nem é um ano fácil, eu diria que é o mais complexo em 20 dos 42 anos meus.

 
Este ano poderia muito bem ser representado por uma foice ou machadinha, pois nele aconteceram muitos cortes, cisões, finais, enterros simbólicos de relacionamentos, de fé nos outros, de status quo, de formas antigas, de modos de ver ao tudo...

 
Mas não é das infinitas mortes que construímos a nós mesmos? É delas que nós fazemos.
Foi e é um ano de desapegar, de amizades que por 15 anos foram coisas certas, por outro lado as verdadeiras, elas se fortaleceram e disseram: mesmo que em tempos cruéis somos amizades.

 
Tudo se depura, se decanta, tudo alquimicamente vem a ser outras coisas, tomando formas que tal vez se em tempos estáveis jamais mostrariam suas faces mais concretas e reais.

 
Eu que sempre me ative ao certo, hoje vivencio cada mês sem certeza alguma quanto ao meu financeiro. Não trabalho mais de carteira assinada, é uma escolha por ora muito minha, quiçá não tão livre, mas é uma escolha.

 
E para um taurino não saber quanto será seu provento é incomodo.
Por outra parte, eu me dedico agora ao que me mostra a pessoa que de fato amo ser, uma tradutora.

 
Mas no campo da tradução você não pode calcular com certezas o seu financeiro, assim como pode ser um mês aonde você fature 7.000 reais pode ser um mês de parcos 500...

 
Não há mais planejados. Não posso planejar com antecedência viagens, passeios, nada.



Mas tenho a liberdade de trabalhar com o que sempre quis e no meu espaço.
'Há coisas que você aprende em meio a pedaços ou destroços de si mesmo.
Como valorizar um dia, qualquer dia, apenas por estar de olhos abertos sabendo quem você é'.


  Luciana Onofre