
Conversando
com a faxineira descobri como outros olhos [não os dela] me enxergam,
descobri que cada um vê em mim em suma o que teme, teme que eu
'porta adentro' faça 'macumba' contra cada um, teme que eu seja feliz de
fato sendo eremita [sou feliz de fato,
não curto invadir casas de parentes e amigos por não ter nada a fazer em
minha casa, saio pouco sim, mas quando o faço sorvo cada segundo, me
alimento dessa energia, a diferença de quem se esvai vagando o dia todo
sem saber por quê precisa não estar em sua casa], teme que
verdadeiramente ele me seja fiel e ame mais do que ao começo [ama
verdadeiramente e é fiel], teme minhas crenças desconhecidas [para
eles], teme que haja outras formas de vida além das deles [há], teme que
eu saiba tudo sobre eles mediante meus sonhos e cartas [ às vezes se eu
quero, sei], temem tanto, que tive dó...
E descobri que sou um ser
sui generis para eles, e que muitos olhos torcidos quiçá existem por não
saber que viver sem ter como pauta o que dirão é libertador.
Eu, Luciana Onofre, sou livre.
E essas descobertas e suas reflexões estão para além dos limites
in loco, mundos reais e virtuais são ao final de tudo, a mesma coisa.
E cá e cá, há os que temem também.
Luciana